Segundo MRF, Valentim chegou a cobrar R$ 180 mil para conceder a liberdade a traficantes
Oito meses depois de ser preso, o desembargador Hélcio Valentim de
Andrade Filho, do TJ-MG (Tribunal de Justiça de Minas Gerais), foi
denunciado pelo Ministério Público Federal por vender habeas corpus para
traficantes. A denúncia foi encaminhada ao STJ (Superior Tribunal de
Justiça) e, se recebida, transformará Valentim em réu.
Além dele, foram denunciadas outras 12 pessoas, incluindo o
comerciante Tancredo Aladim Rocha Tolentino e o advogado Walquir Rocha
de Avelar Júnior, vereador pelo PTB em Oliveira, no centro-oeste
mineiro.
Valentim presidia a 7.ª Câmara Criminal do TJ-MG, mas foi afastado
por decisão do STJ em junho do ano passado, durante a operação Jus
Postulandi, comandada pela Polícia Federal. Atualmente, ele responde
também a processo administrativo na corte mineira. O caso está a cargo
do também desembargador Antônio Armando dos Anjos, mas, segundo a
assessoria do tribunal, não há prazo para ser julgado.
Segundo o subprocurador-geral da República Eitel Santiago de Brito
Pereira, o desembargador negociava os habeas corpus diretamente com
Tolentino.
De acordo com a denúncia, Valentim chegou a cobrar R$ 180 mil para
conceder a liberdade a traficantes, o que fazia durante seus plantões no
Judiciário mineiro. Ainda segundo a denúncia, o papel de Walquir no
esquema era conseguir os interessados em pagar pelos habeas corpus e
receber dos familiares dos presos o dinheiro que era entregue a
Tolentino, também chamado de Quêdo, para ser repassado ao desembargador.
Parte dos "clientes" era conseguida pela comerciante Jaqueline Jerônimo
Silva, de Mato Grosso, cujo pai foi um dos beneficiários do esquema.
Durante as negociações, o advogado chegou a receber dois carros de
parentes de traficantes, avaliados em R$ 90 mil, como pagamento por seus
"serviços". As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
http://noticias.r7.com/cidades/noticias/desembargador-e-denunciado-por-vender-liminar-20120211.html
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