O que sobrou do valor empenhado e não utilizado – R$ 1,2 bilhão – foi
incluído nos restos a pagar (despesas autorizadas que não são efetuadas
no mesmo ano fiscal) de 2012. Outros R$ 2,5 bilhões sequer foram
empenhados. Por isso, a verba teve que ser devolvida ao Tesouro
Nacional.
Os dados referem-se à execução orçamentária da União e fazem parte do
Siafi (Sistema Integrado de Administração Financeira) da Presidência da
República. Eles indicam itens incluídos na função segurança pública que
não foram totalmente executados. Em 2011, o governo gastou, por exemplo,
apenas R$ 5,5 milhões dos R$ 50 milhões de que dispunha para as ações
preventivas de segurança pública para a Copa do mundo de 2014.
reves da PM
A discussão sobre a fragilidade na segurança pública tomou maiores proporções após a greve de policiais militares
na Bahia iniciada em 31 de janeiro, que provocou a morte de centenas de
pessoas. Ao longo das últimas semanas, a crise foi assunto constante no
Congresso Nacional, onde as leis e o orçamento são votados.
Os manifestantes a todo o tempo pedem salários maiores e a aprovação da PEC 300,
que poderá unificar um piso salarial nacional. Por outro lado, os
governos estadual e federal alegam não ter recursos para bancar o
aumento pedido pela categoria categoria.
O delegado da Polícia Federal e vice-presidente da Comissão de Segurança
Pública da Câmara, deputado Fernando Francischini (PSDB-PR), diz
acreditar que a falta de utilização das verbas aprovadas no Orçamento
evidenciam problemas na gestão do governo.
- É a prova da falta de estrutura do poder Executivo para executar o
Orçamento. Dá a impressão de que o marketing é maior que a eficiência,
já que eles anunciam valores enormes para investimento e, na prática,
não têm capacidade para fazer acontecer.
O deputado federal Protógenes Queiroz (PCdoB – SP) ressalta que, caso o
dinheiro público fosse melhor gerido, haveria o suficiente para investir
em segurança.
- Os governos federais e estaduais sempre dizem que não há recursos para
aumentar os salários dos policiais ou investir em segurança. Mas basta
olhar os desvios de conduta que resultam em verbas que saem pelo ralo da
corrupção ou da má gestão. Se fortalecer o instrumento de fiscalização e
acabar com esse escoamento, o dinheiro aparece.
Para o líder do PR na Câmara, Lincoln Portela, o país vive um problema
de gestão na segurança pública. Ele destaca que, de acordo com o Mapa da Violência,
elaborado pelo Instituto Sangari com dados dos ministérios da Saúde e
da Justiça a cada ano, 50 mil pessoas morrem assassinadas no Brasil.
- É preciso haver uma comissão geral chamando o Ministério da Justiça, o
Ministério Público, o Legislativo e o Executivo para dar uma resposta à
sociedade, revendo e votando todas as propostas que estão paradas no
Congresso sobre segurança pública. Não adianta esperar um momento de
comoção para elaborar leis correndo. É preciso rever o Código Penal, o
sistema penitenciário, as penas, tudo o que está relacionado ao tema.
http://noticias.r7.com/cidades/noticias/uniao-deixa-de-gastar-r-3-7-bilhoes-em-seguranca-publica-em-2011-20120212.html
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